19/02/2008 15:18
Descanse em paz, HD-DVD
Com a
decisão da Toshiba de jogar a toalha, a
guerra pelo mercado de vídeo doméstico em alta-definição acaba, e o
Blu-ray é o vencedor. Já não era sem tempo: tal guerra sequer deveria ter começado.
O CEO da Toshiba, Atsutoshi Nishida, resumiu bem a situação em um press-release liberado pouco antes da coletiva de imprensa com o anúncio oficial, dizendo:
"avaliamos cuidadosamente o impacto a longo prazo da continuidade da 'guerra dos formatos de nova geração' e concluímos que nossa decisão irá ajudar no desenvolvimento do mercado".
Com o fim do HD-DVD, desaparece o fator incerteza na compra de um player de alta-definição, e as massas de consumidores que estavam esperando uma decisão finalmente podem gastar seus suados dólares sem medo de ficar com um mico na mão. Espere um estouro nas vendas de players Blu-ray e redução signifcativa de preços em breve. Na prática, a Toshiba fez mais bem no momento em que desistiu de seu formato do que durante os dois anos em que ele esteve no mercado.
Para a Sony, a vitória tem um gostinho ainda mais especial. É a primeira vez que a empresa consegue "emplacar" um de seus formatos de mídia como padrão "de fato" no mercado de entretenimento. Na década de 80 seu Betamax perdeu para o VHS. Na de 90 o Minidisc, embora tecnologicamente fantástico, não conseguiu sair de seu nicho de mercado na Ásia e dez anos depois foi atropelado pelos MP3 Players. E já às portas do século 21 o Memory Stick não conseguiu fazer frente aos cartões SD, desenvolvidos por um consórcio entre a Panasonic, SanDisk e... Toshiba.
Infelizmente, quem comprou um player HD-DVD se deu mal, mas o impacto é relativamente pequeno: apenas 1 milhão e 300 mil unidades, contando gravadores e reprodutores, foram vendidas no mundo todo, pouco se levarmos em conta o tamanho potencial do mercado. Aos menos os proprietários da tecnologia "obsoleta" vão poder continuar assistindo seus discos HD-DVD (e espere liquidação de filmes já neste mês, aqui e nos EUA) e DVDs comuns. E se quiserem migrar para o Blu-ray, há um caminho fácil de upgrade:
Samsung e
LG produzem players híbridos, que reproduzem discos em ambos os formatos.
Mas prevejo que a hegemonia dos disquinhos "azuis" no mercado não vai durar muito. Esta será a última geração de sistemas de entretenimento doméstico baseada em uma mídia física, ou seja, fitas e discos. A próxima leva, quando chegar ao mercado, será online. E já está acontecendo: nos EUA, com uma
Apple TV e uma conexão de banda larga (bem larga, lá links de 10 Mb/s ou mais são comuns) bastam alguns cliques para comprar ou alugar filmes em alta-definição sem sair do sofá e começar a assistir em questão de minutos.
No Brasil não temos uma loja oficial como a iTunes Store, mas isso aparentemente não é problema: munido de um cliente
BitTorrent e um site de busca, como o
YouTorrent, um espectador consegue encontrar praticamente o seriado ou filme que quiser na internet e baixá-lo em algumas horas com qualidade de imagem semelhante a um DVD. Tudo isso poucas horas depois do lançamento ou exibição oficial nos EUA. Se seu DVD Player tem suporte a arquivos no formato DiVX, dá até para assistir na TV.
Os estúdios podem espernear o quanto quiserem sobre a legalidade deste método, mas nao dá mais pra segurar a onda. Ou eles aprendem a surfar e aproveitam o pico, ou vão tomar o maior caldo de suas vidas.
enviada por Rafael Rigues
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(O que é isso?)