Blog de Tecnologia - por James Della Valle

14/02/2008 14:21

Entendendo a rede da Campus Party

Hoje pela manhã tive a oportunidade de conversar com Ari Fallarini, Diretor de Planejamento e Engenharia da Telefônica, e entender um pouco mais sobre o funcionamento da rede interna da Campus Party e do tão falado link de 5.5 Gb/s. A capacidade foi uma "encomenda" da organização do evento: a última Campus Party na Espanha tinha um link de 3 Gb/s, e baseado no público esperado e perfil de uso da internet no Brasil, decidiu-se por uma conexão de 5.5 Gb/s.

A estrutura necessária para isso não é nova: foram aproveitados links de fibra ótica já existentes que serviam a região do parque do Ibirapuera. Links, no plural, porque na verdade são dois links de 5 Gb/s operando em conjunto, para garantir redundância. A capacidade somada de 10 Gb/s foi limitada a 5.5 Gb/s, com metade do tráfego rodando em cada link. Se um deles cair, o outro pode assumir toda a carga. E se for necessário, é possível rapidamente expandir a capacidade da conexão removendo a limitação, que é feita por software.

Os links saem do Pavilhão da Bienal e vão direto para o roteador mestre da Telefônica, onde são conectados a redes Tier-1 e Tier-2 que formam a "espinha dorsal" da Internet. Com isso, os usuários tem outra vantagem além da velocidade: baixa latência, vital para quem quer, por exemplo, disputar partidas de jogos em rede com usuários no resto do mundo, atividade comum na Campus Party. Fiquei surpreso quando Ari mencionou que os picos de tráfego na rede até o momento foram de 421 MB de download e 772 MB de upload, durante uma madrugada, que é o período de mais atividade na rede. Esperava um número bastante maior, especialmente dada a quantidade de micros que vejo com softwares peer-to-peer, como eMule e clientes BitTorrent. Softwares estes que estão "liberados", ou seja não há nenhuma medida na infraestrutura de rede para impedir ou limitar o seu uso.

Muitos usuários tem a impressão errônea de que terão uma conexão de 5.5 Gb/s só para eles, mas as coisas não funcionam bem assim. Em primeiro lugar, o link é compartilhado entre todos os usuários da rede (o pico até o momento foi de 2300 usuários simultâneos). Quanto mais gente conectada, menor a capacidade individual. Em segundo lugar, a maioria dos computadores não está preparada para lidar com conexões deste tipo. No geral, os laptops e desktops atualmente à venda no mercado vem equipados com placas de rede capazes de lidar com conexões de até, no máximo, 100 Mb/s, e na prática esse número é ainda menor, devido a limitações na arquitetura do hardware dos PCs e dos sistemas operacionais usados.

Ainda assim, a velocidade é bem maior do que em uma conexão doméstica: um campusero chegou a atingir uma velocidade de download de 30 MB/s em um cliente BitTorrent, baixando um arquivo de 1 GB em pouco mais de um minuto. Resolvi conferir com meus próprios olhos, e meu resultado foi menor: neste momento, estou com um cliente torrent aberto baixando um arquivo de 4.5 GB e a velocidade de download é de 405 Kb/s, e de upload é de 489 Kb/s. Nada mal.

E uma curiosidade: a estrutura de rede é dividida em duas partes. Enquanto a Telefônica cuida da conectividade com o mundo exterior, a organização do evento é que controla a rede interna. Para isto são usados pelo menos 5 servidores HP, que vi na sala de máquinas carinhosamente apelidada de "aquário 2" (o "aquário 1" é a sala de imprensa). O sistema operacional destes servidores? Linux, mais especificamente o Debian.




Detalhe dos equipamentos de rede



enviada por Rafael Rigues






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